segunda-feira, 26 de junho de 2017

Cidade de Passagem

No fundo de um quarto
No fundo de um terreno
No fim de uma rua
Vejo o asfalto dessa cidade 
Sinto tantas vidas passando
Penso em passados
Penso em vidas
Penso em vias
Olho pra tudo que é lado
E não vejo saída

Uma cidade de passagem
Faz passar tantos nós
Estradas que levam a tantos lugares
E nada jamais volta
Tudo passa
Tudo é passado
Tudo é vivido
Tudo é misturado na cabeça do individuo
Que não sabe onde tá
Nem pra onde vai
Fica no fundo de si
Sem saber onde ir

Uma trilha
Uma viagem
Uma chance
Um tiro no escuro
É isso que quero
Mas nada procuro
Só espero um meio
De seguir
De sair
De ser algo mais
De ficar em paz 

domingo, 18 de junho de 2017

Um - O Conhecer


Nessa tarde de vida perdida, procuro respostas.
Sempre procuro, nem sempre encontro.
A vida me parece simples, não simplista
Por isso teimo em desvendá-la.
Me perco em livros procurando sentidos
Tantas vidas descritas,
Tantos conhecimentos eternizados
Tanto o que ler e aprender a viver
Mas isso é a vida?

Dizem que a vida é mágica
Eu acredito nisso.
Acredito em magia.
Acredito que somos magos de nosso próprio mundo
O impossível cotidiano
A magia de viver
Sonhos a se realizar
Ser mestre de nós mesmo    

Descobrir o sentido de tudo
O sentido do mundo
O sentido de se estar no mundo
O sentido da vida
O sentido de cada vida
Descobrir, desvendar
Desbravar o desconhecido
Tornar claro que antes era escuro
Fazer a vida ser magia
E da magia ser vida que pulsa
Impulsiona
Me leva adiante

terça-feira, 13 de junho de 2017

Pedido Simples


O senhô eu quero te pedi
Algo que não tenho,
Algo que muito quero,
Algo que as pessoas podem dá.

Sabe, eu andei por esse país
E vi desgraças por demais.
Vi rio sem ponte pra passa
Onde barão controla balsa
E faz fortuna com desgraça.
Vi criança sem escola
Lutando por outra escolha
Pq não queria roba.
Vi bixo ruim pega
Direito que não é seu
E no lixo joga
Sem nenhuma culpa carrega.

O senhô eu quero pouca coisa
Quero um quinhão de justiça
Outro de bondade
Um pouco de compaixão
E muito de verdade.

Coloque nesse pote o que lhe convir
E desperta na sua alma um pouco do que lhe pedi.
Só não guarda só pra si. 
Distribui pra todo mundo que tu encontra.
Quem sabe de pouco em pouco a gente chega lá
Quem sabe esse país pode muda
Se a gente se uni e se ajuda.

Num é?

domingo, 4 de junho de 2017

Nada acontece em dias chuvosos


Nada acontece em dias chuvosos
A chuva cai
A noite esvai
A vida não
Aquele telefonema que eu tanto esperei
Não chegou
Não veio
Não mandou lembranças
A chuva me preencheu e me fez transbordar
De solidão
De vazio
De água
Já não consigo enxergar nada a minha frente
Nem paisagem
Nem futuro
Nem esperança
Me afundo na cama
Me enterro entre cobertas
Torço para que um dia o sol volte a brilhar

terça-feira, 23 de maio de 2017

Falta


Às vezes eu queria poder falar de certas coisas que nem sei
Queria só dizer que foi difícil dormir ontem
Que às vezes de noite eu sinto a noite entrar em mim
Sinto que posso tocar a solidão do quarto

Queria falar que minha respiração é pesada mesmo sem motivo
Que a imaginação é revoada mesmo sem destino
Que divago com meus pensamentos pela rua
Eu sinto um nó atado na garganta

Às vezes sinto que o ar me falta,
Que o mundo me falta,
Que me falta alguém
Que me faça falta

Tem dias que os dias deslizam pela minha janela em gotas
Que os vidros são embaçados e o frio rasga minha vontade
Que as cobertas são finas e a solidão espessa
O tempo se vai sem pressa, devagar

Parado na sala me deixo estar, ficar, permanecer
Entre cômodos passeio sem rumo
Passo entre anseios e desejos
Me movo quilômetros sem sair do lugar

Às vezes sinto que tudo me falta
Que pedaços me faltam
Que algo importante me falta
Que me faça falta, mas já nem sei 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Na Soleira

Na soleira da porta de casa,
Percebo a vida mais de perto
Vejo passarinho bater asa
E voar para campo aberto

Avoar na alvorada do sonho
Alcançar o céu abarrotado de brilhos
Escuto um apito, é choro tristonho
De quem é trem e permanece nos trilhos

Corro,
Pelos campos do destino
Penso então em passarinho
Que não cansa de voar
Corro,
O peito em desatino
Eu me entrego ao caminho
Que insisto em trilhar.

Devagar e constante, eu sigo
Desbravar o descampado da vida
Esse sonho que ainda persigo
De um alguém sem passagem de ida

Passarinho é composto de nuvem
Trem é só ferro e apito
Um, é melodia que se mantem
O outro, é disritmia de um solitário grito

Ambos se confundem nessa estrada
Ir, voltar, permanecer, são caminhos da liberdade
Daquele encontro não restou quase nada
Vejo da soleira da porta e o coração sabe que foi verdade

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Zero - Passos a Beira


O vento joga seus cabelos para longe
Os pensamentos vão mais além
Vão para um lugar distante, vão para dentro dele.
Da beira do abismo ele olha para o horizonte e se reconhece
Um tolo que está na beira de tantas coisas
Na beira do penhasco, da viagem, de si mesmo
Tanto ainda por andar,
Tanto por saber,
Tanto por se tornar
E é só o começo

Artista de sua própria vida
Faz graças com as desgraças e bonanças
Faz malabares das suas emoções
Joga para cima lágrimas, sorrisos, pesares, amores
Tudo que já viveu, tudo que já andou, tudo que já sentiu
E é só o começo

Na sua frente, uma neblina de confusão que esconde o caminho
Ele não sabe o que virá
Atrás, uma estrada torta e única,
Composta pelas escolhas que o trouxeram até ali
Até a beira de si, até a beira de tudo
E é só o começo

Continua uma criança tola que carrega flores mortas
Assombrado pela distância que cria a cada passo que dá
Extasiado por construir seu próprio destino
Deixa-se guiar pelo instinto até o limite
Até que o erro o alcance e ele caia e se erga e continue
E é só o começo

Uma revoada de sentimentos no peito
Incontáveis lembranças na bagagem
(que não é grande, nem pequena, é do tamanho de seu ser)
Tentativas incomensuráveis de viver
De se entender, de seguir adiante
Tudo o que ele é, está naquele primeiro passo
Que é só o começo de tudo o que virá

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Do que será



Olha pra mim e vê o meu olho a te olhar, a minha boca a falar e ouve isso que não consigo guardar em mim e ouve essas palavras para depois decidir o que fazer, decidir só depois de saber das coisas com o percebo, como concebo, como vejo que nesse curto período juntos, que não é curto, é apenas o período que já passamos lado a lado, mas que são dias, semanas, séculos de cama entre braços e afagos, entre segredos e suspiros estreitamos laços, desfazemos espaços entre nós, a sós ou com outros, construímos lembranças com todos os timbres de nossa voz, tivemos também momentos intensos, eternos, compartilhados, desfrutados, deleitados e o que vivemos juntos é mais do que simples tempo gasto lado a lado, pois é de nós que falo, é do que foi, é do que tiver que ser, é de não ter culpas a carregar, nem projeções fazer, nem arrependimentos ter, sem nada esperar além da presença, do conforto, dos carinhos, dos sorrisos, da amizade, do que for mais que amizade, do que ultrapassar as descrições, do que for sentido, do que for domingo fagueiro, do que for noite estrelada, do que for momento inesquecível, do que for detalhe perecível, sejamos então tudo o que podemos ser nesse lago fundo que somos nós, nessa dança louca pelo mundo, nesse grito dissonante de amor que ecoa de nossos lábios que não falam tudo, mas que cortam a dureza da vida com o sorriso irremediável de felicidade e que os meus agora se movem nessa fala descomposta de um único sentido mas que se direciona para uma única questão, nervosa e necessária para mim e que talvez não tenha uma resposta para sempre, mas que seja por agora e enquanto fizermos bem um para o outro e que só saberei após fazê-la e ouvir o que tens a dizer por hora e sem mais demora faço-a agora: Posso lhe acompanhar nessa estrada de ida até o infinito e ser seu companheiro durante o restante desse caminho inteiro?

terça-feira, 11 de abril de 2017

Amargas Raízes


Eu magoei alguém
Alguém que caminhou ao meu lado
Falando de música, escritores, livros
Vidas, sentidos, animais e carinhos
Magoei alguém que se abriu pra mim
Angustias, felicidades, medos
Tédio, problemas, ponto de vista
Uma pessoa que nem sempre estava do meu lado
Sejamos sinceros, estava, mas não do jeito palpável

Eu magoei alguém
Eu magoei por não me importar
Magoei por saber que uma flor crescia nela e não me importar
Eu apenas deixei criar raízes sabendo que ela cresceria se eu nada fizesse
Tentei me isentar da situação, mas quando eu podia eu lhe dava água
E antes que qualquer flor brotasse, a dona decidiu arrancá-la
Um ato mais maduro e melhor que o meu

Eu magoei alguém
Magoei alguém que olhou para dentro de si e viu uma possível flor
Ela estava quase desabrochando
Se piedade ou temores, decidiu arrancá-la
Nada impossível, apenas doloroso
Com suas mãos sensíveis ela segurou e começou a puxar
Ela ainda puxa, num exercício diário e exaustivo.
Não será rápido, levará um tempo para retirar todas as raízes.

Eu magoei alguém
E não sei quanto tempo vai ser necessário para que a dor passe
Nem ela sabe.
Ela ainda puxa as raízes de uma flor morta e sente dor por isso
Ela sangra.
Deixei que se ferisse por eu não fazer nada
Isso me magoa, me machuca, me dói
Eu sinto dor, mas ela sente mais e eu sou o responsável. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Antes de se afastar


Viu, olha só o que aconteceu
O tempo passou e algo se perdeu
Só me restam resquícios de você e eu
Nada mais do que vejo te pertenceu
                                                                          
Viu, eu não estou tão bem assim
Já não florescem tantos sorrisos em mim
Me sinto perdido numa estrada sem fim
Com saudades dos teus lábios carmim

Viu, o tempo é maior do que imaginei
Tenho medo de perceber que só eu amei
Que foi só ilusão, um delírio que causei
Em mim, em você, um sonho que sonhei

Viu, eu falo tudo isso, mas não posso reclamar
Pro meu coração perdido tu destes um lar
Temporário e necessário para me acalentar
Me ensinar tantas coisas, inclusive a sonhar

Viu, deixa os lamentos, são meus e demais ninguém
Deixa os problemas, não leva o que não te faz bem
Deixa o tempo seguir em frente, que ele te leve além
E se um dia quiseres voltar, não pensa muito. Vem